PF pede atuação da AGU contra decisões de André Mendonça em investigação sobre fraudes no INSS
Pedido foi encaminhado após a Polícia Federal considerar que determinações do ministro do STF podem interferir na condução das apurações envolvendo descontos irregulares no INSS.
O QUE VOCÊ PRECISA SABER
- A Polícia Federal pediu que a AGU avalie medidas contra decisões do ministro André Mendonça relacionadas ao inquérito do INSS.
- A corporação considera que algumas determinações podem afetar a condução das investigações em andamento.
- A investigação faz parte da Operação Sem Desconto e ainda depende da análise de cerca de 1.700 itens apreendidos.

A Polícia Federal solicitou que a Advocacia-Geral da União (AGU) avalie uma medida jurídica contra decisões do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomadas durante a investigação que apura suspeitas de fraudes envolvendo descontos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O pedido foi apresentado após integrantes da corporação manifestarem preocupação com o impacto das determinações sobre o andamento da investigação.
Segundo informações divulgadas pela imprensa brasileira, a investigação integra a Operação Sem Desconto, que apura possíveis irregularidades relacionadas a cobranças feitas em benefícios previdenciários. Entre os nomes citados no inquérito está Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, embora a existência da investigação não represente, por si só, condenação ou responsabilização judicial.
André Mendonça determina envio de informações ao STF
De acordo com a Polícia Federal, uma das determinações de André Mendonça estabelece que todos os atos relacionados à investigação sejam encaminhados ao gabinete do ministro. Outra decisão prevê que eventuais alterações na equipe responsável pelo caso sejam comunicadas previamente ao Supremo Tribunal Federal.
Nos bastidores, integrantes da PF avaliam que essas medidas representam uma ampliação da supervisão judicial sobre a investigação e entendem que isso pode interferir na autonomia operacional dos investigadores. Foi justamente esse entendimento que levou a corporação a recorrer à AGU em busca de uma solução jurídica para o impasse.
PF também pede mais prazo para concluir análise
Além da discussão sobre as determinações do ministro, a Polícia Federal informou ao STF que ainda precisa de mais tempo para concluir a investigação.
Segundo a corporação, aproximadamente 1.700 itens apreendidos durante a Operação Sem Desconto ainda aguardam análise. A PF argumenta que o número reduzido de servidores disponíveis dificulta a conclusão dos trabalhos dentro do prazo inicialmente previsto.
O pedido reforça que a investigação continua em andamento e que novas diligências ainda dependem da avaliação desse material.
Caso aumenta debate sobre limites da supervisão judicial
A atuação do Judiciário em investigações conduzidas pela Polícia Federal costuma ser tema de discussão entre especialistas em direito e processo penal. Em diferentes momentos, decisões judiciais podem determinar o compartilhamento de informações, autorizar diligências ou estabelecer medidas de acompanhamento quando consideradas necessárias para garantir a legalidade das investigações.
Neste caso específico, porém, integrantes da PF entendem que as determinações adotadas extrapolam o acompanhamento tradicional e podem influenciar diretamente a condução dos trabalhos investigativos. Até o momento, André Mendonça não comentou publicamente o pedido encaminhado pela corporação.
Investigação continua em andamento
O pedido feito à Advocacia-Geral da União não altera automaticamente as decisões já tomadas pelo ministro do STF. Caberá aos órgãos envolvidos avaliar quais medidas poderão ser adotadas nos próximos dias.
Enquanto isso, a Operação Sem Desconto segue em andamento, com a Polícia Federal dando continuidade à análise das provas apreendidas. Novos desdobramentos dependerão tanto da conclusão desse trabalho quanto das futuras manifestações do Supremo Tribunal Federal e dos demais órgãos responsáveis pelo caso.