Alex Jenkinson, de 39 anos, é acusado de assediar Andrew Mountbatten-Windsor durante um passeio com os cães da falecida rainha Elizabeth II perto de sua nova casa em Sandringham.
O QUE VOCÊ PRECISA SABER
- O ex-príncipe Andrew, de 66 anos, deveria depor por vídeo nesta semana no processo contra Alex Jenkinson, acusado de ameaçá-lo perto de sua residência em Sandringham em maio.
- O julgamento foi adiado para 21 de dezembro depois que o magistrado-chefe Paul Goldspring citou preocupações com a saúde mental do acusado.
- O adiamento acontece em meio a problemas legais do próprio Andrew, que foi preso em fevereiro sob suspeita de má conduta em cargo público ligada ao seu relacionamento com Jeffrey Epstein.

Artigo
O depoimento do ex-príncipe Andrew, marcado para acontecer nesta semana em um tribunal britânico, ficou para depois. O ex-Duque de York, de 66 anos, testemunharia por videoconferência no processo contra Alex Jenkinson, de 39 anos, acusado de ameaçá-lo durante um passeio com cães perto de sua casa em Sandringham mas a Justiça decidiu empurrar o julgamento para o fim do ano.
Segundo relatos, Jenkinson abordou o ex-príncipe de forma agressiva em 6 de maio, enquanto Andrew caminhava com Muick e Sandy, os dois cachorros que pertenceram à rainha Elizabeth II. Andrew e sua ex-mulher, Sarah Ferguson, assumiram os animais após a morte da monarca, em 2022, e os cães seguiram com o ex-príncipe quando o casal precisou deixar Royal Lodge, a residência que ocupavam havia anos, no início deste ano.
De acordo com documentos judiciais citados pela imprensa britânica, Jenkinson teria dirigido a Andrew Mountbatten-Windsor “palavras ou comportamento ameaçadores, abusivos ou insultuosos”, com a intenção de fazê-lo acreditar que sofreria violência iminente ou de provocar reação violenta que colocasse outras pessoas em risco. O homem enfrenta ainda uma segunda acusação, por ter abordado de forma semelhante outro homem no mesmo local, um dia antes do episódio com Andrew.
Foi a revista HELLO! quem revelou, primeiro, que o magistrado-chefe Paul Goldspring anunciou, nesta quarta-feira, o adiamento do julgamento para 21 de dezembro. A decisão, segundo a publicação, tem relação direta com preocupações sobre o estado de saúde mental do réu um fator que, no sistema judicial britânico, pode levar à suspensão temporária de audiências até que haja avaliação especializada sobre a capacidade do acusado de responder ao processo.
Um momento delicado para o ex-príncipe
O adiamento chega em meio a um período especialmente turbulento para Andrew. Em 19 de fevereiro, ele próprio foi preso sob suspeita de má conduta em cargo público, em uma investigação ligada a supostos repasses de informações sigilosas a Jeffrey Epstein durante o período em que atuava como enviado do governo britânico. A prisão foi um marco simbólico e raro: trata-se da primeira detenção de um membro da família real britânica desde 1649, quando o rei Charles I foi decapitado por alta traição. Andrew ficou sob custódia por cerca de 11 horas antes de ser liberado, e o processo segue em aberto.
O histórico que levou a esse momento remonta a 2022, quando Andrew perdeu seus títulos militares e patrocínios reais depois de tentar, sem sucesso, barrar na Justiça o processo movido por Virginia Giuffre, uma das vítimas de Epstein que o acusava de abuso sexual. No mês seguinte, ele fechou um acordo extrajudicial com Giuffre, cujo valor nunca foi revelado publicamente. Giuffre morreu por suicídio em 24 de abril de 2025, um desfecho trágico que reacendeu o debate sobre o caso.
Em outubro de 2025, o rei Charles III tomou uma decisão ainda mais drástica: retirou do irmão mais novo os títulos remanescentes e a residência oficial, como consequência direta do desgaste causado pelas ligações de Andrew com Epstein. Foi esse movimento que empurrou o ex-príncipe para Sandringham, onde reside atualmente em uma propriedade mais discreta.
Diante da repercussão da própria prisão, em fevereiro, o Palácio de Buckingham divulgou um comunicado enxuto em nome do rei, reforçando que a lei precisava seguir seu curso normal diante das suspeitas contra o irmão. Ailsa Anderson, ex-secretária de imprensa da rainha Elizabeth II, avaliou à revista PEOPLE que a escolha das palavras do monarca foi calculada uma forma de <cite index=”2-33″>”distanciar-se”</cite> publicamente do caso.
Andrew nega qualquer irregularidade relacionada à sua relação com Epstein. Ainda assim, o desgaste de imagem é visível nas aparições públicas da família real. Durante o desfile do aniversário do rei, o tradicional Trooping the Colour, em 13 de junho, manifestantes ergueram cartazes contra a monarquia e fotos do ex-príncipe ligadas ao caso Epstein nas proximidades do Palácio de Buckingham. Cena parecida se repetiu em março, quando integrantes do grupo antimonarquista Republic recepcionaram o rei, o príncipe William e Kate Middleton com faixas na Abadia de Westminster, antes do serviço do Dia da Commonwealth.
Por ora, o novo capítulo do caso Jenkinson só deve ganhar desfecho em dezembro. Até lá, o nome de Andrew Mountbatten-Windsor segue circulando entre dois processos judiciais paralelos um como suposta vítima, outro como investigado , um cenário raro até mesmo para os padrões de uma monarquia acostumada a lidar com escândalos.








