Em declaração nesta quinta-feira (14), o presidente rebateu acusações do governo americano sobre comércio e meio ambiente, e atribuiu parte da tensão a Marco Rubio.
O QUE VOCÊ PRECISA SABER
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que vai “vencer” os Estados Unidos “pela narrativa” em meio à disputa comercial entre os dois países.
- Lula rebateu as justificativas usadas pelo governo americano para sobretaxar produtos brasileiros, citando dados sobre desmatamento e comércio.
- O presidente também responsabilizou o secretário de Estado Marco Rubio, e não diretamente o presidente Donald Trump, por parte dos ataques recentes ao Brasil.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a comentar publicamente a escalada de tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos nesta quinta-feira, 14 de agosto, afirmando que pretende vencer os Estados Unidos pela narrativa em meio ao impasse sobre as tarifas impostas por Washington a produtos brasileiros. Wikipedia
Segundo o petista, o país não vai ceder à pressão internacional baseada em informações que ele classifica como falsas. Lula sustentou que o Brasil foi taxado com base em mentira, referindo-se às justificativas apresentadas pelo governo americano para a sobretaxa. Wikipedia

Foto: Ricardo Stuckert / PR
De acordo com o presidente, duas alegações específicas motivaram parte da retaliação comercial dos EUA: a compra de produtos ligados a trabalho escravo — acusação que, segundo Lula, seria na verdade dirigida à China — e a falta de controle sobre o desmatamento na Amazônia. Ele contestou diretamente esse segundo ponto, afirmando ter visitado o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, na semana anterior, onde teria visto dados indicando o menor índice de desmatamento já registrado em um período de dois anos e meio.
Lula relatou ainda ter fotografado o gráfico apresentado pelo instituto com a intenção de enviá-lo diretamente a Trump, com quem mantém, segundo ele, uma relação pessoal cordial apesar do atrito comercial entre os governos.
Rubio, e não Trump, seria o responsável pelos ataques
Um dos pontos que chamou atenção na fala do presidente foi a forma como ele distribuiu a responsabilidade pela escalada das tensões. Lula indicou acreditar que as críticas mais duras ao Brasil partiram do secretário de Estado americano, Marco Rubio, e não do próprio Trump.
Essa distinção reforça uma estratégia que o governo brasileiro vem adotando há meses: tentar preservar o canal de diálogo direto entre os dois presidentes, mesmo em meio à disputa tarifária. Desde o início de 2025, a relação comercial entre os dois países vem sendo marcada por sucessivas rodadas de tarifas e ameaças de retaliação, um processo que já levou o Congresso brasileiro a aprovar uma lei de reciprocidade econômica, permitindo ao Executivo adotar contramedidas proporcionais a ações unilaterais de outros países.
Lula também negou a tese, defendida por parte do governo americano, de que os Estados Unidos amargam prejuízo na balança comercial com o Brasil — argumento frequentemente usado por Washington para justificar novas tarifas contra produtos brasileiros, como aço, alumínio e itens agrícolas.
Reciprocidade como resposta
Ao tratar da resposta brasileira, o presidente reafirmou o compromisso do governo com o princípio da reciprocidade, já formalizado em lei desde 2025. A ideia é que o Brasil possa adotar medidas equivalentes sempre que se sentir prejudicado por decisões unilaterais de parceiros comerciais, incluindo a suspensão de obrigações relacionadas a acordos comerciais e direitos de propriedade intelectual.
Essa postura não é nova. Já em outras ocasiões, Lula afirmou que o país “não tem pressa” para retaliar, priorizando a via da negociação, mas deixando claro que dispõe de instrumentos legais para agir caso considere necessário.
Na mesma fala, o presidente criticou opositores internos e familiares de adversários políticos que, segundo ele, promovem campanhas contra o Brasil no exterior — numa referência indireta a críticas feitas por parentes de figuras da oposição em fóruns internacionais. Para Lula, esse tipo de articulação fragiliza a posição do país nas negociações externas.
O que vem a seguir
O discurso reforça o tom que o governo brasileiro tem adotado nos últimos meses: buscar equilíbrio entre a defesa da soberania nacional e a manutenção de um canal aberto com Washington. Até o momento, não há uma data definida para uma possível reunião presencial entre Lula e Trump para tratar especificamente da disputa tarifária, mas o presidente brasileiro tem sinalizado disposição para o diálogo direto, mesmo enquanto rebate publicamente as justificativas usadas pelo governo americano.
A expectativa agora é que o tema volte à pauta nas próximas semanas, à medida que o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio avaliam novos passos dentro da legislação de reciprocidade já em vigor.
Em declaração nesta quinta-feira (14), o presidente rebateu acusações do governo americano sobre comércio e meio ambiente, e atribuiu parte da tensão a Marco Rubio.
O QUE VOCÊ PRECISA SABER
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que vai “vencer” os Estados Unidos “pela narrativa” em meio à disputa comercial entre os dois países.
- Lula rebateu as justificativas usadas pelo governo americano para sobretaxar produtos brasileiros, citando dados sobre desmatamento e comércio.
- O presidente também responsabilizou o secretário de Estado Marco Rubio, e não diretamente o presidente Donald Trump, por parte dos ataques recentes ao Brasil.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a comentar publicamente a escalada de tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos nesta quinta-feira, 14 de agosto, afirmando que pretende vencer os Estados Unidos pela narrativa em meio ao impasse sobre as tarifas impostas por Washington a produtos brasileiros. Wikipedia
Segundo o petista, o país não vai ceder à pressão internacional baseada em informações que ele classifica como falsas. Lula sustentou que o Brasil foi taxado com base em mentira, referindo-se às justificativas apresentadas pelo governo americano para a sobretaxa. Wikipedia
De acordo com o presidente, duas alegações específicas motivaram parte da retaliação comercial dos EUA: a compra de produtos ligados a trabalho escravo acusação que, segundo Lula, seria na verdade dirigida à China e a falta de controle sobre o desmatamento na Amazônia. Ele contestou diretamente esse segundo ponto, afirmando ter visitado o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, na semana anterior, onde teria visto dados indicando o menor índice de desmatamento já registrado em um período de dois anos e meio.
Lula relatou ainda ter fotografado o gráfico apresentado pelo instituto com a intenção de enviá-lo diretamente a Trump, com quem mantém, segundo ele, uma relação pessoal cordial apesar do atrito comercial entre os governos.
Rubio, e não Trump, seria o responsável pelos ataques
Um dos pontos que chamou atenção na fala do presidente foi a forma como ele distribuiu a responsabilidade pela escalada das tensões. Lula indicou acreditar que as críticas mais duras ao Brasil partiram do secretário de Estado americano, Marco Rubio, e não do próprio Trump.
Essa distinção reforça uma estratégia que o governo brasileiro vem adotando há meses: tentar preservar o canal de diálogo direto entre os dois presidentes, mesmo em meio à disputa tarifária. Desde o início de 2025, a relação comercial entre os dois países vem sendo marcada por sucessivas rodadas de tarifas e ameaças de retaliação, um processo que já levou o Congresso brasileiro a aprovar uma lei de reciprocidade econômica, permitindo ao Executivo adotar contramedidas proporcionais a ações unilaterais de outros países.
Lula também negou a tese, defendida por parte do governo americano, de que os Estados Unidos amargam prejuízo na balança comercial com o Brasil argumento frequentemente usado por Washington para justificar novas tarifas contra produtos brasileiros, como aço, alumínio e itens agrícolas.
Reciprocidade como resposta
Ao tratar da resposta brasileira, o presidente reafirmou o compromisso do governo com o princípio da reciprocidade, já formalizado em lei desde 2025. A ideia é que o Brasil possa adotar medidas equivalentes sempre que se sentir prejudicado por decisões unilaterais de parceiros comerciais, incluindo a suspensão de obrigações relacionadas a acordos comerciais e direitos de propriedade intelectual.
Essa postura não é nova. Já em outras ocasiões, Lula afirmou que o país “não tem pressa” para retaliar, priorizando a via da negociação, mas deixando claro que dispõe de instrumentos legais para agir caso considere necessário.
Na mesma fala, o presidente criticou opositores internos e familiares de adversários políticos que, segundo ele, promovem campanhas contra o Brasil no exterior — numa referência indireta a críticas feitas por parentes de figuras da oposição em fóruns internacionais. Para Lula, esse tipo de articulação fragiliza a posição do país nas negociações externas.
O que vem a seguir
O discurso reforça o tom que o governo brasileiro tem adotado nos últimos meses: buscar equilíbrio entre a defesa da soberania nacional e a manutenção de um canal aberto com Washington. Até o momento, não há uma data definida para uma possível reunião presencial entre Lula e Trump para tratar especificamente da disputa tarifária, mas o presidente brasileiro tem sinalizado disposição para o diálogo direto, mesmo enquanto rebate publicamente as justificativas usadas pelo governo americano.
A expectativa agora é que o tema volte à pauta nas próximas semanas, à medida que o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio avaliam novos passos dentro da legislação de reciprocidade já em vigor.











