Investigação revelou que o dano à piscina espelho do Lincoln Memorial, em Washington, foi causado por instalação malfeita do contratante e não por vandalismo, como havia sido apontado inicialmente.
O QUE VOCÊ PRECISA SABER
- A procuradora dos Estados Unidos Jeanine Pirro entrou com pedido para retirar as acusações de vandalismo contra o ex-canoísta olímpico David Hearn, de 67 anos.
- Hearn havia sido preso em 19 de junho após tocar na piscina espelho recém-reformada do Lincoln Memorial durante um passeio de bicicleta.
- Documentos revelam que o dano ao monumento foi causado por uma instalação malfeita do revestimento, e não pela ação do atleta.
O caso que colocou o ex-atleta olímpico David Hearn no centro de uma polêmica envolvendo um dos monumentos mais conhecidos de Washington, D.C., pode estar próximo do fim. A procuradora dos Estados Unidos para o Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, entrou nesta sexta-feira, 31 de julho, com um pedido formal para retirar as acusações de vandalismo apresentadas contra o ex-canoísta.
De acordo com documentos judiciais obtidos pela PEOPLE, a petição de arquivamento reconhece que o estrago identificado na piscina espelho do Lincoln Memorial foi resultado de “uma instalação malfeita por parte do contratante” responsável pela obra não da ação do atleta, de 67 anos.
Hearn havia sido preso em 19 de junho. Segundo relato do próprio ex-atleta ao jornal The Washington Post, ele parou para observar a piscina recém-reformada durante um passeio de bicicleta de 52 milhas (cerca de 84 quilômetros) e tocou a água para sentir a textura de um pedaço solto do revestimento que havia se destacado. Minutos depois, já estava sendo detido pela polícia.
O caso avançou rapidamente: em 2 de julho, Hearn foi formalmente indiciado por uma acusação de destruição de propriedade avaliada em mais de mil dólares. Uma semana depois, em 9 de julho, ele se declarou inocente durante audiência de instrução, conforme registros do Tribunal Superior de D.C. já analisados anteriormente pela PEOPLE. Na ocasião, o ex-atleta foi liberado sem necessidade de pagamento de fiança, sob compromisso de comparecimento em juízo.
A reviravolta no caso veio à tona no pedido de arquivamento apresentado nesta sexta-feira. Segundo o documento, o Departamento do Interior dos Estados Unidos (DOI, na sigla em inglês) “forneceu informações incompletas” no início do processo, e só depois do indiciamento formal é que ficou constatado que o problema identificado na piscina no momento do incidente decorreu de “uma instalação malfeita, e não de vandalismo, como inicialmente apresentado pelo DOI”.
De acordo com a petição, o selante aplicado na piscina começou a descascar “quase imediatamente” após a conclusão da obra. A falha foi atribuída a uma “instalação apressada e malfeita” realizada pela empresa Atlantic Industrial Coatings (AIC), acusada no documento de ter aplicado excesso de produto e falhado na aderência do revestimento, em uma tentativa de concluir o serviço a tempo das comemorações da América 250, realizadas nas semanas em torno do feriado de 4 de Julho de 2026.
O episódio ganha contexto adicional ao ser lembrado dentro de uma sequência de controvérsias envolvendo reformas recentes em monumentos históricos de Washington, promovidas durante a atual gestão federal incluindo a própria pintura da piscina espelho na cor azul, realizada em junho, que já havia motivado outras disputas judiciais sobre o quanto essas intervenções seriam reversíveis.
Após o pedido de arquivamento, os advogados de Hearn, Norm Eisen, Mary Dohrmann e Steve Levin, divulgaram um comunicado conjunto nesta sexta-feira. Segundo a equipe de defesa, o processo aberto contra o ex-atleta “nunca deveria ter sido movido” pelo governo, classificando a abordagem adotada como precipitada e afirmando que “a retirada das acusações hoje não apaga o abuso de poder cometido ao prender e processar um americano patriota que não fez nada de errado”.
“O governo deve um pedido de desculpas ao Sr. Hearn”, completaram os advogados na nota.
A reportagem da PEOPLE entrou em contato com o Departamento do Interior para solicitar um posicionamento sobre o caso. Até a publicação desta matéria, o órgão não havia respondido. O processo segue agora aguardando decisão formal da Justiça sobre o pedido de arquivamento apresentado pela promotoria.










